E se o bandido for rico e branco?

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No mundo todo, a TV do Brasil é a que mais gosta de expor as desgraças que acontecem na sociedade, e julgar culpados e inocentes. Inúmeros programas de jornalismo “sensacionalista” são exibidos todas as noites; onde, neles vemos assassinos, estupradores, bandidos, ladrões, sequestradores, enfim... Criminosos pequenos, quando comparados com empresários, executivos e políticos que cometem crimes no país a olho nu. O brasileiro já se acostumou a imaginar o bandido com as seguintes características: favelado, pobre, negro, má índole, vagabundo, cruel e desprezível. Porém, antes de condenarmos o indivíduo, como fazem os programas de TV que vemos todos os dias, vamos imaginar a seguinte hipótese: e se o bandido fosse de classe alta (ou classe média), rico; e, principalmente, branco?
No Brasil, julga-se pela cor da pele

O brasileiro, usando de sua fértil mente preconceituosa e moldada pela TV, aprendeu a distinguir o bem do mal de acordo com padrões que trazemos desde a época da escravidão. Para muitos, o individuo proveniente da favela, de classe baixa, de pele negra, representa o lado do “mal”, da criminalidade; enquanto o individuo proveniente de um bairro de alto padrão, de classe alta ou média-alta, de pele branca, representa o lado do “bem”, de boa índole, e vítima em potencial. Prova isso o fato que, nas grandes cidades, pessoas provenientes de bairros pobres raramente conseguem oportunidade de bons empregos; pois, existe um forte preconceito para com quem é “do morro”.

Mas, não são raros os criminosos “brancos” que vemos por aí. Geralmente envolvidos em grandes crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro, eles podem ser encontrados atrás de mesas de presidência de empresas, diretorias, gabinetes políticos, bancos. A questão é: por que esses criminosos não aparecem em nossos programas de jornalismo? Por que a fúria das pessoas não recaem sobre eles? Por que não somos levados a fazer um pré-julgamento deles? Em suma: por que o crime que eles cometem não gera a mesma revolta dos demais crimes que as pessoas se revoltam?

A resposta é simples, e parte do desejo de submissão da mente preconceituosa do brasileiro. As pessoas não querem justiça contra quem tem dinheiro e representa autoridade, poder, status. Somos educados para aceitar crimes de colarinho branco, corrupção, fraude, etc. O brasileiro é educado para observar e aceitar crimes cometidos por pessoas que detém o poder sejam empresários, políticos, autoridades. As pessoas aceitam caladas e não desenvolvem senso crítico pois não querem; ou seja, é mais fácil se revoltar quando o bandido é pobre, favelado e negro, do que quando o bandido é rico e branco. Com razão os políticos do Brasil estão entre os mais corruptos do mundo; pois, as pessoas observam caladas, elas aceitam, elas concordam. Quem cala, consente; pois, a sociedade deseja mudar essa realidade? Pelo visto, não.

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